Cruzando a fronteira

“Uma viagem constitui uma fonte, um tesouro, uma riqueza incalculável.”

Ryszard Kapuscinski em Minhas viagens com Heródoto

Cheguei a fronteira entre Corumbá (MS) e Porto Quijarro no dia 6 de novembro, há exatos catorze dias atrás. Partindo de São Paulo, a viagem leva cerca de 22 horas, a maior parte delas dentro do Pantanal. Com sorte é possível enxergar de garças a jacarés pela janela do bus. No meu caso, só garças.

Uma vez em Corumbá, um ônibus com o sugestivo nome de “Fronteira” é o responsável por levar os passageiros do centro da cidade sulmatogrossense até uns 15 metros do limite com os hermanos. Depois, é uma questão de sebo nas canelas e portunhol para passar pela alfândega e ingressar oficialmente na Bolívia – como a linha que separa as nações é na verdade uma floresta, ingressar ilegalmente não parece muito difícil.

Em caso de brasileiros é preciso apresentar apenas a identidade e o certificado internacional de vacina contra a febre amarela, uma papelzinho amarelo que se consegue na maioria dos portos e aeroportos do país ao apresentar o comprovante da vacina. Como passaportes são itens muito bem cotados no mercado negro internacional – ainda mais o brasileiro, já que qualquer pessoa de qualquer ascendência pode se passar por tupiniquim – é melhor manter o bicho bem guardado e só mostrar em caso de necessidade.

Da alfândega até a parada do famoso “Trem da morte”, principal forma de contato entre o povoado e o resto do país, são pouco menos de dez minutos de carro. Para quem está acostumado a vida em português pagar 5 reais de táxi pela viagem parece razoável. Para os cidadãos de Porto Quijarro é um roubo. Como um real é o equivalente a três bolivianos e cinqüenta, uma viagem dessas acaba saindo por 17,50 bolivianos para os desavisados – o preço de um almoço caprichado em quase todas as cidades bolivianas. Portanto caminhe um pouco mais, pegue um táxi na Calle e não cai na lábia dos motoristas. Uma moedinha de um real é mais que suficiente para fazer a travessia.

Listo, Bolívia lá vamos nós.

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