Pelas calles

Os ônibus e táxis bolivianos são como coração de mãe – sempre cabe mais-, o que torna pegar um coletivo uma aventura. Primeiro, esqueça coisas como pontos e cintos de segurança – nem mesmo os semáforos tem muito respeito. Os carros estão passando e cabe a você entrar ou não. É só levantar o braço que o maestro para, não muito preocupado em que parte da rua se encontra. Na verdade, tanto dirigir quanto atravessar a rua no país são tarefas que exigem um pouco de prática. Após duas semanas aqui aprendi a me atirrar a frente dos carros tranquilamente. É uma questão de você ou eles e se ninguém der o primeiro passo (ou três) – não espere isso dos motoristas – ninguém atravessa.

Voltando aos ônibus, eu conversava tranqüilamente com o motorista em Santa Cruz sobre a situação política atual enquanto ele terminava uma ligação no celular, cobrava as passagens, parava a cada levantada de braço e ainda assim evitava os postes e carros pelo caminhos. “Somos um pouco anárquicos”, sorriu ao ver que eu me segurava no banco. Pedi para tirar uma foto intrigada com o padrão de oncinhas que cobria o volante – aqui cada motorista decora o seu carro como preferi – e ele aproveitou para fazer pose com o celular. Isso tudo, é claro, sem deixar de dirigir.

No caso dos táxis, a situação é um pouco mais intessante. Qualquer pessoa pode dirigir um. Basta colocar um adesivo no painel escrito “Táxi”. A carros de todos os modelos, alguns até com as portas presas por intrincados sistemas de fios e fita durex. Nos lugares em que não há ônibus cabem a eles esse papel. O sistema é simples. O carro sai quando estiver cheio – claro que cheio é um conceito muito pessoal. No Chaparre tomei um táxi – um desses carros com um lugar na frente e três atrás – com outras 11 pessoas, sem contar o motorista. Três na frente, quatro atrás e mais três no porta malas. O décimo primeiro passageiro era um bebê de colo confortávelmente alojado junto com o irmão. E para quem pensa que isso é raro, hoje pela manhã passei uma viagem inteira sentada quase em cima da caixa de marchas.

E se ainda não houverem nem táxis nem ônibus, há os truffis. São vans que saem para todos os lados imagináveis enquanto uma pessoas fica encarregada de gritar a janela a direção, cobrar e arranjar aquele espacinho caso mais alguém queira subir. Como os táxis, eles só partem quando estão cheios num sistema simples. O cara fica parado, o garoto fica gritando e um momento ou outro vão chegar passageiros. Simples assim.

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One response to “Pelas calles

  1. Bruna

    Praticamente a Sogil =P hehehe

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