As personas do caminho

O post que segue faz parte de uma série de desabafos verbais lá do outro bloguinho que começou com a inocente idéia de fazer uma lista das pessoas que conheci pelo caminho. Teve de senhora suiça hippie a ladrão colombiano e como ainda estou por aqui a lista segue. No fim, se tornou um pouco de diário de viagem também.

Para quem quiser acompanhar o fluxo de pensamento inteiro, antes dessa preciosidade seguiram os textos:

As pessoas do caminho

Pessoas, versão sul-matogrossense

PQ people

De Corumbá a nossa viagem pelos acasos que acometem quem está na estrada parte para Porto Quijarro, a pé mesmo, que para atravessar a fronteira não são mais de 15 metros.

A primeira coisa que eu pensei quando pisei na Bolívia, como já escrevi em algum lugar por aqui, foi “caramba, cheguei no terceiro mundo”. Ok, talvez sem o caramba. Pode parecer exagero, mas entre Corumbá e Porto Quijarro a diferença não é só notável, é admirável.

A cidade brasileira é toda pavimentada, bem distribuída, com casas na maioria de material, pequenas mas bem construídas. Já em P.Q o calçamento é um luxo que só a avenida principal e a quadra da praça tem – isso pra não falar das casas, que se encaixam bem na descrição de “malocas”. Mas vamos e venhamos, a descrição que importa aqui é as das pessoas, não?

Entonces, depois de pegar um táxi pelo roubo de CINCO reais (quanto mais tempo eu passo na Bolívia, mas p*&% da cara eu fico por ter caído nessa) eu cheguei na estação do famoso Trem da Morte. Eu, eu mesma e minha mala de rodinhas subimos a escada que levava ao ponto de embarque e demos de cara com um relógio estranho que marcava nove da manhã. Eu, que tinha saído de Corúmba perto das onze pensei por uns 15 segundos que tinha viajado no tempo. Só quinze, então recordei que na Bolívia o relógio marca duas horas a menos que no Brasil. Como o trem só saia a uma menos quinze, como dizem os nativos, decidi dar uma volta pela cidade e engolir um pouco de poeira e calor.

Perguntei por pontos turísticos. Só faltou o guardinha rir da minha cara. Sabia mais ou menos que tinha um rio por perto (afinal, tinha um rio em Corumbá) e segui uma estrada de chão com cara de caminho para alguma coisa – na dúvida, era bem em frente da estação. Difícil se perder em linha reta.

Lá pelo meio do caminho uma moça veio falar comigo em inglês, o que é bem comum por aqui e na hora não foi nenhuma supresa. A primeira coisa que me disseram na Bolívia foi “one information, miss”. Seguido rola um olhar de yanke desgraçada, que é bem desagradável. Dá vontade de gritar eu sou tão latino-americana quanto vocês, porcaria! Na verdade, eu disse isso hoje pra um boliviano e um chileno que estavam me torrando a paciência. “Ahh, mas tu não pode ser brasileira…”. “O melhor do Brasil é que todo mundo pode ser tupiniquim, meu bem”, sorri rangendo os dentes de volta. Tudo bem, ainda é melhor que ser tirada pra estrangeira no Rio e em Fortaleza.

Opa, o arquivo foi. Time to go folks! MAs esse texto termina manana ou ão me chamo Joaquina!

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