Joaquina hablando

(post escrito em pc boliviano. Corrigirei a ortografia, corrigirei…)

Como eu ia dizendo às moscas que frequentam esse bloguinho, a caminho do rio náo turìstico de P.Q encontrei uma boliviana chamada Mimi. Mas coo ontem foi ontem e hoje a memòria está melhor, ates da Mimi é bom mencionar que troquei menos de uma dúzia de palavras com um italiano que também esperava o trem da morte. O suficiente pra que ele tomasse conta da minha mala de rodinhas por um tempinho. Ok, back to Mimi. Professora de inglês naquele fim de mundo, me perdoem os moradores da cidade, ela náo tinha muito com quem praticar e ao me ver suspeitou do jeito yanke da minha lata e achou que tinha encontrado alguém pra praticar. Apesar de eu passar bem longe do sangue anglosaxáo, tinha mesmo. Aquela altura do campeonato eu preferia mil vezes hablar em inglês com alguém que arriscar um portunhol. Vestígios de Montevídeo e Buenos Aiers onde bons amigos riram da minha cara por tentar e me deixaram suficientemente constragida pra achar que nao tinha jeito pra isso – é, sintam-se culpados.
Mimi falava um inglês tímido e náo muito conjugado e vivia repetindo que a prática leva a prefeiçao. Apesar de ter passado cinco anos estudando em Cochabamba, uma das maiores cidades daqui e onde escrevo estas linhas, ela fez questáo de voltar e há seis meses dava aulas num dos dois colégios da cidade. E a seis meses nao recebia por isso. “Alguém tem que se preocupar com as crianças”, explicou, sem nem um tom de veja como eu tenho um grande coraçao. Apenas como alguém que tem um grande coraçao.´
A descriçao do colégio, que eu só lembrei de pedir pra olhar com o trem estava quase saindo, era o Serra no inferno tocando tambor. Uma sala pequena, com telhado de zinco em que quarenta alunos se apertavam para aprender o To Be. Isso quando o tempo ajudava. Se fazia calor – e sempre fazia calor – era impossível dar aula à tarde . Nem ela nem os alunos conseguiam prestar atençao. E se por acaso náo fizesse calor, mas chovesse as aulas também eram cancelada.Era quarta-feira e naquela semana ela só tinha dado uma aula.
O governo até construiu outra escola, bacaninha, com salas largas e grandes janelas azuis, mas náo adiantou muito. Além de ter lugar só pros alunos do segundo grau a maior parte do pessoal prefere o outro colégio, mais perto. Pra piorar, parece que i prefeito da cidade associa Evo ao diabo prefere manter os alunos fritando a aceitar dinheiro federal para fazer outro prèdio e assim permitir que todas as crianças de P.Q estudem num local decente.
Desse jeito, o que sobra pra galera trabalhar na regiáo é o turismo. A maioria dos moradores ou é taxista – caso de todos os quatro irmáos da Mimi – ou vendedor de tudo e qualquer coisa na rua, uma profissáo bem comum por aqui.
Outro dia tomando um café com um israelense, que pode ou nao aparecer por aqui, depende de como estiver a minha memória até que esses relatos cheguem a La Paz, comentou que a Bolívia é um grande mercado a céu aberto. E é. Náo há indùstrias, táo pouco trabalho e a populaçao se vira do jeito que pode. Entre as três quadras que me separam do hotel eu posso tanto fazer um lanche, quanto renovar meu vestuàrio, comprar uma escova de dentes pra viagem e ligar pra casa pra dizer que estou viva e respirando. Isso sem entrar em uma loja sequer.
Voltando a Mimi, eu posso nao ter visto a escola mas vi a sua casa. Na mataçao de tempo entre a hora de pegar o trem e a decpeçao por descobrir que havia um rio, que ele até era bonitinho, mas que nao tinha jeito de chegar perto dele sem atravessar um mini lixáo, a acompanhei enquanto buscava dinheiro pra enviar pro pai que estava cá em Cocha. Admito, náo fotografei a casinha porque fiquei com vergonha de parecer indelicada. Baixinha e de material, o lugar eram como três quatros grudados. O da Mimi tinha uma cama com colcha de florzinhas, uma mesa com uma TV de girar o botáo que parecia pb, umas roupas num cantinho e só. Paupèrrimo é apelido.
Pedi para ir ao banheiro e ela me indicou um galpáo de madeira nos fundos. Desviei algumas crianças ranhentas que brincavam no chao, dei holas pra umas duas moças que conversavam por perto e entrei. O lugar era meio banheiro meio depósito. Tinha madeira, ferramenta, de tudo um pouco. O vaso era um vaso normal, só que sem tampa com um papel higiênico rosa pinkáo do lado e no lugar da pia, uma bacia também rosa com um negóio de metal improvisado que ao mesmo tempo que segurava ela, segurava um espelho.
De novo esse relato ficou mais comprido do que deveria. I will be back, ou náo.
Hasta!

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