Querida oposiçao

Eu sei, eu sei. Como vai a Mimi? Bem, espero. Mas este post é pra falar de um pedacinho do domingo, antes que ele desapareça. Depois a gente volta no tempo e embarca no trem da morte até Santa Cruz de La Sierra. Prometo.
Terminada a cobertura das eleiçoes, que teve um fim um pouco trágico (pra mim, nao pro país) – a Bolívia em dia de eleiçoes é o mesmo que a Bolívia em estado de sítio. Tem lei seca, os carros ficam proibidos de circular e a polícia toma as ruas. Pras ces terem uma idéia me fizeram descer de um carro de uma rede de TV daqui que tinha autorizaçao pra circular porque eu nao tinha credencial (depois consegui uma credencial da PAT pra ver se paravam de me torrar a paciência, mas daí ninguém me pediu mais nada. Murphy, alguém?).
O mais emocionante do domingo foi perguntar pro Manfred Reys Villa, segundo colocado, se ele ia fugir do país na segunda de manha. Contexto: na falta de propostas, tanto o governo quanto a oposiçao resolveram partir para acusaçoes, e acusaçoes no minimo estapafurdias. Um grupo de mulheres da Convergência resolveu fazer greve de fome na frente da corte eleitoral porque supostamente o MAS (movimento ao socialismo) teria escrito um milháo de eleitores fantasmas. Já do lado do governo, alguém deixou vazar uma passagem pra Miami no nome do Manfred, gentilmente marcada pra o day after das eleicoes.
Com todo o seu bigode e postura de bombom – o cara foi prefeito de Cochabamba durante a guerra da água, e, na época, uma jornalista escreveu que tinha um “bombom” na prefeitura, o que levou a senhora Manfred a prestar contas com a moça e o marido – sorriu e disse que sim, que estava indo embora na primeira hora. Depois completou que isso era tonteria da oposiçao, e que ele nao tinha nada nem ninguém a temer.
A chapa da Convergência podia muito bem ser apelidada de chapa 171. Contra o Manfred correm acusaçoes de desvio de dinheiro público durante o seu governo como prefeito – além de que ter sido a pessoa que autorizou a privatizaçao da água em Cocha nao melhora muito o curriculo – e fontes seguras me confirmaram que o gajo também aproveitava a folha da prefeitura pra pagar, por exemplo, o jardineiro da sua mansao. Já o ex-candidato a vice e ex-governador de Pando, Leopoldo Fernandez, fez campanha da prisáo de Sao pedro em La paz onde espera desde setembro do ano passado ser julgado por supostamente ser o mandante da chacina que matou 16 camponeses no departamento que governava.
É por essas e por outras – o Tribunal Constitucional, o nosso Surpremo, por exemplo, foi completamente descabeçado pelo governo e os decretos sáo a forma mais corrente de aprovar leis – que a oposiçao acusa Evo de sapatear em cima do Estado de direito. Agora que o MAS ganhou o congresso com maioria de dois terços esse argumento morre e provavelmente a galera daqui pra frente vai acusar o governo de ditadura mesmo – mas antes disse é preciso lembrar que quem elegeu o MAS como maioria foi o povo boliviano, e que em instituiçoes democráticas nao há nada mais democrático que o voto.
Eles também devem estar com medo da lei de transparência de fortunas, que vai abrir a caixa preta de todos os políticos – Evo e o seu vice, García Linera, já coloram suas contas bancárias a disposiçao de quem quiser bisbilhotar.
Mas esse é um assunto pra outro post. Vou-me agora, que o bus para a Copacabana boliviana me chama.
Hasta!

Pra deixar a coisa um poquinho mais completa. Além do Manfred da Convergência, também concorria com alguma força Samuel Doria Medina, fundador do partido Uniao Nacional. Ex-ministro do planejamento, Samuel é dono do Burger King na Bolívia e de uma das maiores empresas de cimento do país. A proposta dele para colocar a “Bolívia a trabalhar” – o desemprego é um dos ponto mais atacados pela oposiçao e um dos principais problemas bolivianos – era simples. Transformar o país no maior produtor e alimentos orgânicos do continente. Claro que para isso seria melhor se ele deixasse de exportar as batatas e vegetais dos seus sanduíches…

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