Dando uma chance à sorte

Uma das partes mais interessantes de se viajar sozinho é se descobrir uma boa companhia. Um suiça de 67 anos que encontrei pelo caminho me disse que nem todos são capazes de ficar sozinhos consigo mesmos por muito tempo.
– É preciso uma força interior muito grande.
Pois bem, na minha primeira manhã em Santa Cruz eu – ainda – não tinha essa força. Mudei pro hotel da frente seduzida pela promessa de internet inclusa na diária plus café da manhã, e além de me deparar com um pãozinho dormido merreca servido com mantequilla e chá descobri que a conexão também não era lá essas coisas. Simplesmente, não conectava. Sozinha no meu quarto atepetado com uma janela que dava para o interior do hotel sem saber pra que lado ir ou o que fazer, chorei. Um choro de raiva e sentimento de impotência. Tinha um país a frente para desvendar e não sabia por onde começar a puxar o fio.
Sendo assim, toquei para o café para pedir ajuda externa, no caso aconselhamento da minha amiga Débora, que acompanhava a viagem do outro lado do lap top em Porto Alegre. Foi só começar a reclamar pra receber uma grande carga de realidade e perceber que não, as coisas não estavam ruins, estavam apenas começando.

Nesses momentos, fica a dica: vá para a rua, para uma praça, um café. Não fique num quarto chorando. Por pior que as coisas estejam, elas não podem começar a melhorar lá dentro. Às vezes, se não sempre, é preciso jogar com o acaso e chamar a sorte.
E a sorte chegou.

Voltei ao hotel decidida a pegar o endereço dos dois maiores jornais da cidade e ir bater na porta das redações baseada na grande irmandade entre jornalista que eu gosto de pensar que existe no mundo. Quando arrisquei meu portunhol com a recepcionista, um hóspede que estava do meu lado resolvendo alguma outra coisa sorriu e disse num português perfeito.
– Tu é brasileira? (ok, talvez ele não tenha usado um tu, mas vamos respeitar a cota de regionalismo no blog)
– Sou. Tu também?
– Siiim!
Em coisa de dois minutos a situação estava resolvida. Sentei com o Mário no hall e contei a minha história – jornalista freelancer, eleições, socorro. Além de brasileiro, paulista e filho de imigrantes alemães, ele também era fotógrafo profissional e tinha amigos na cidade que poderiam me ajudar. Algumas ligações depois eu estava falando com um escritor chileno, que me levou a um candidato a deputado, que me levou ao aeroporto conhecer um candidato à presidência. Mas isso fica para outro post, que esse já está grande o bastante.

Moral da história: antes de espernear e maldizer a ideia de girico que levou você até ali, respire fundo e vá pra rua. É lá que as coisas acontecem.

1 Comment

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One response to “Dando uma chance à sorte

  1. Me senti inspirado. Parabéns pela coragem e determinação. Estou curioso pra saber o fim dessa história.

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