Introdução a Bolívia por Homero Carvalho

Hmn, vamos ver. Essa história parou em meio a uma crise pessoal na grande Santa Cruz de La Sierra ainda no comecinho da viagem.

O Mário – o tal fotógrafo tupiniquim com pinta de alemão – apareceu feito uma luz no fim do túnel e após algumas trocas de figurinha de conterrâneos me apresentou a um escritor chileno radicado há alguns anos na Bolívia. O escritor era gente boníssima e tinha uma preocupação comum a parte da classe média boliviana com o futuro da nação sob o governo Evo. Como escrevi antes, Santa Cruz se considera a locomotiva do país — não sem alguma razão — e achava que as coisas iam muito bem do jeio que iam.

Depois de contar parte dos meus planos, ele concordou em me apresentar o escritor e candidato a deputado Homero Carvalho.

Homero morava com a esposa, diplomata, em uma bela casa escondida atrás de muros altos em um bairro de classe média de Santa Cruz. Durante todo o tempo que passei na cidade meus amigos fizeram questão de destacar o quão perigosa ela era. Um pouco do que a gente ouve quando chega ao Rio.

(Licença para uma breve digressão. Peguei agora o livro que ganhei de Homero naquela tarde de apresentação à Bolívia e não pude deixar de sorrir ao ver a dedicatória. “Para Paula Bianchi, la poesia nos salva del olvido.” A poesia, a escrita, nos salva do esquecimento. E eu aqui, deixando o blog às moscas…)

Expliquei que estava chegando ao país e apesar de ter lido bastante sobre ele ainda não conseguia compreender como funcionavam as coisas. Esse foi um sentimento recorrente durante a viagem. Saber-se vizinha mas de costas para os significado da América Latina. Um pouco pelo português, muito pela nossa tremenda ignorância como brasileiros sobre o continente.

Sentei e passei a tarde conversando, melhor, absorvendo o ponto de vista de Homero sobre o que era e é a Bolívia. Candidato pela Alianza Nacional, um partido minoritário, Homero propunha uma terceira via e contou que a divisão no país começa pela territorialidade — oriente/ocidente, altiplano/terras baixas — e passa pela construção histórica do país. Seguem trechos da entrevista:

“A chegada de Evo despertou muita esperança. Se pensava que a chegada dele ia causar um reencontro do Ocidente e Oriente, mas a chegada de Evo acirrou os ódios. Evo representa a maioria da população. É  a primeira vez que a esquerda chega ao poder. A sua grande popularidade se deve ao povo, que se vê refletido nele. O MAS não é um partido marxista lenisnista como prega, mas uma mescla. Nos discursos de Evo ele nunca usa yo, sempre nosostros, nosotros sintimos. É uma tipo de fala que busca corações e mentes e pretende chegar a um número maior de pessoas. Nas terras altas a história da conquista espanhola é sangrenta e se reflete nas falas de Evo, muito rancorosas. Chegaram a escravizar os índios. Chamar alguém de índio é ofensa. Nas terras baixas a conquista se deu por missões jesuíticas, daí que vem os nomes católicos. Também são outros povos, em especial o guarani. As pessoas não se sentem mal em serem chamadas de índios. No oriente não há problema em ser índio.”

Ok, isso ficou um pouco mais hard do que deveria, msa vamos devagar. “A memória é uma ilha de edição.”

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